retro-inovação
Um conceito que saiu de uma conversa de boteco dentro de uma sala de reunião com meu amigo e parceiro Fernando Diniz.
A aceleração do mundo fez com que esquecêssemos no meio do caminho de algumas coisas básicas que estamos redescobrindo como se fossem novidades.
Os orgânicos são um bom exemplo deste fenômeno: o orgânico não é mais nada do que um alimento não alterado pelo uso de pesticidas, fertilizantes, aditivos, etc. Basicamente, como era há 2 séculos. E o mundo está olhando os orgânicos como um avanço incrível.
E a volta da bicicleta como se fosse a sétima maravilha do mundo, revolucionando um cidade como Paris, assim como o “slow food”, que é usar o tempo das refeições... Que maravilha!
O famoso padeiro Lionel Poilane introduziu o conceito da retro-inovação na comida alguns anos atrás, fazendo seu pão com 4 ingredientes dentro de fogões do século XVI. Ele conta que combina o melhor dos elementos tradicionais com o melhor do mundo moderno.
Por vezes, a aceleração tem deixado o mundo perdido. Eventualmente, o que o mundo está fazendo hoje faz sentido e é bem diferente do que vinha fazendo há 3 anos. Porém, é provável que, em parte, o mundo tenha que voltar ao que vinha fazendo 20, 30, 100 anos atrás para fazer ainda mais sentido...
Nós estamos precisando de uma pequena retro-inovação.

Não é só fazer como se fazia há um século, na verdade. Se isso fosse verdade, não haveria padrões de higiene, os processos seriam longos e a quantidade de produção não daria conta do recado. O que na verdade pode parecer uma volta ao passado é no fundo a busca de um reequilíbrio, onde os exageros mais recentes são limados em troca de algo mais substancioso e "pessoal".
Posted by: Ricardo Amaral | 26-09-2007 at 11:24
Tenho que descordar de você, Ric.Na verdade veja que essa questão toda da higiene, volume de produção e tal tem mais a ver com a modernização do processo do que com o conceito em si, e pelo que entendi a proposta aqui é falar do conceito. É como se a gente falasse que dormir bastante e comer direito é uma consequência natural da evolução, e não uma lástima dos tempos que nos limita a fazer o que somos obrigados, e não necessariamente o que queremos ou precisamos fazer.
Posted by: Liane Santi | 27-09-2007 at 10:25
Liane,
Vc é contra a evolução dos padrões de higiene? Ou contra a produção, sua preguiçosa?
;-)
Posted by: DDT | 27-09-2007 at 15:03
Uma outra tendência que nos faz voltar ao passado é a redução de uso de matéria plástica, seja em garrafas PET, seja nos sacos de supermercardos - onde na própria França citada, está sendo estimulado o uso de sacolas retornáveis bio degradávis (carrefour)
Posted by: Alexandre van Beeck | 27-09-2007 at 15:57
O que eu acho mais divertido disso tudo, David, é que as pessoas estão com tanta vontade de comprar essa retro-alimentação (pelo menos a classe média, média-alta), que as exigências são mínimas, para que o benefício seja entregue.
Ou seja, não é preciso ser 100% artesanal, por exemplo, é preciso ser mais artesanal que a caegoria. Para ilustrar, olha o que eu encontrei uma vez em um site: “The bottom line is I don't feel cheated when I plunk down $1.00-$1.29 for [a Jones Soda] … Who knows or even cares how big or small the Jones Soda Company ends up, but for now, I'm content to bypass 72 Mountain Dew [offshoots] to get to a nice cold Jones Soda.”
Posted by: Mari | 28-09-2007 at 09:36