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24-03-2008

Sugiro abolir a palavra mídia, o que acham?

Media_ocrity

Em tempos de fragmentação dos meios; veículos noticiosos, veículos noticiosos de esporte, de culinária, de automóveis, de gatos siameses, veículos técnicos, veículos técnicos de esporte, culinária, automóveis, gatos siameses, veículos de fofoca, veículos de fofoca esportiva, gastronômica, automotiva, felina do Sião; que sentido faz classificá-los ainda pelos seus dispositivos de recepção -- Revista, Jornal, Rádio, TV, Internet?

Em tempos de convergência dos meios; rádios que estão nas ondas e na internet e na TV, jornais que estão no papel e nos bits e na TV, revistas que estão em todos os lugares e blogs que viram programa de televisão que viram programas de rádio, propagandas que viram filme que viram game que viram blogs que viram sites de jornalismo colaborativo que viram livro; que sentido faz classificá-los ainda pelos seus dispositivos de recepção: Revista, Jornal, Rádio, TV, Internet?

Sempre que nos perguntamos "para onde vai nossa verba", é uma simplificação preguiçosa dividir os investimentos da forma que fazemos.

Mesmo que a gente raciocine em termos de "atitude" do receptor diante da mensagem, TV - anestesiado; Internet - excitado; Jornal - desperto; Revista - sintético; ainda assim o raciocínio é no mínimo raso porque quem garante que a TV não pode excitar, investigar, opinar? Ou a Internet hipnotizar, adormecer, manipular?

Da mesma forma, não significa mais nada dividir o bolo publicitário em tipos de mídia, assim como não significa mais nada falar em verbas de comunicação por meio, ou discutir se agências de propaganda devem ser especializadas nessa ou naquela plataforma de comunicação. Soa quase ridículo dizer que um redator é melhor em 'offline' e idiota em 'online', um planejador que manja tudo de internet e nada de experiência de marca, um mídia que sabe fazer 'x' e incapaz de programar palavras chave ou contratar blogueiros. E se não é ridículo, é no mínimo, um mínimo inaceitável hoje.

Um veículo de comunicação não limita mais sua atuação ou se o faz, é uma opção poética. Dizer que O Globo é só papel é ofensa grave, gravíssima. Dizer que a Rede Globo é um entretenimento de sofá, idem. Um anunciante não é um anunciante de TV ou de Jornal. Uma agência -- ainda que persistam as irritantes separações de disciplinas -- não pode ser uma coisa tão pequena, terra de especialistas bitolados e caretas.

Porque um veículo de comunicação é uma marca antes de ser uma mídia. Um anunciante, idem. Uma agência, várias. Porque um veículo de comunicação é um conteúdo antes de ser uma mídia. Um anunciante, idem. Uma agência, vários.

Vamos fazer planos de mídia por marca e por conteúdo. Vamos trabalhar os conteúdos das marcas e não esse onanismo metafórico que consiste em inventar atributos emocionais e posicionamentos que mais parecem xavecos desastrados.

Vamos criar idéias e não filmes, anúncios, banners ou eventos. E vamos também desistir de vez em chamar as pessoas de consumidores. Que palavrão!

Comments

Boa, Fernand. Mas quem é que vai avisar os clientes e os criativos? Hehehe...

Nóis avisa!

Fernand

Bom, pra começo de conversa, eu nunca imaginei q esse texto pudesse causar algum tipo de polêmica.
Mas sei lá, teve gente que leu "Sugiro acabar com a mídia ou os mídias" ao invés de "sugiro acabar com a palavra mídia". Para esses, não vale muito a pena responder.
Outros são acomodados preguiçosos e para esses também dá uma preguiça danada responder.
Finalmente tem um que fez acusações pessoais se escondendo atrás de uma identidade duvidosa. Para esse, prefiro não me aventurar em terreno tão lamacento.
De qualquer forma, fiz uma resposta genérica (deve ser publicada em breve) tentando ser mais preciso na minha colocação.
Eu achei q meu texto poderia dar idéias para alguns - como por exemplo discutir um pouco a forma como apresentamos e defendemos estratégias de mídia, ou simplesmente levantar mais uma vez a bandeira da diferenciação para outros.
Acredito que é missão das pessoas de planejamento ter uma visão crítica e construtiva da comunicação. Nem que seja pelo exercício da dialética. Repetir fórmulas é um truque as vezes eficiente mas não faz as coisas andarem. Por isso, vez por outra, temos o dever de chacoalhar um pouco as mentes mais espertas.
É por isso que detesto a palavra planejamento. Se ela for entendida como "ler o passado para projetar o futuro", então podemos sugerir aboli-la. Mas acho q estamos um pouco mais à frente dessa discussão porque faz algum tempo que Planejamento significa entendimento preciso do problema e inspiração.
Já mídia - de novo - em tempos de fragmentação e convergência, poderia ser redefinido na pior das hipóteses. Não basta mais escolher o meio tecnicamente correto e alguma afinidade editorial. Sempre me incomodou encarar nosso ofício e as pessoas para quem falamos de forma tão fria e calculista. Talvez devessemos pensar primeiro nos conteúdos (das mídias) e nas marcas (dos veículos) para depois fazer as análises clássicas. Principalmente considerando que um mesmo conteúdo é e pode ser transmitido (e clonado) ad infinitum nas diferentes plataformas. Tem gente que vê Lost na Globo (atrasado), tem gente que vê no Terra (idem e mais ainda), tem gente que baixa na Internet, tem gente que vê picado no Youtube, tem gente q se contenta em ler as centenas (milhares) de blogs que debatem o seriado ou no próprio site oficial e nos extra-oficiais. Idéia simples essa de pensar de pensar primeiro em Lost e depois nas mídias em que esse conteúdo é distribuído. Essa é um exemplo simples que me parece óbvio (até demais). Talvez caiba nos o desafios de sofisticar ainda mais essa lógica e quem sabe, um dia, a gente não consiga entender porque está tão difícil ter os resultados que tinhamos nas "mídias-dispositivo de recepção" no passado.

Quem sabe não possamos ser uma das locomotivas dessa evolução?

Não sei se temos a capacidade de emular uma locomotiva, Fernand, mas acredito que o bom planejador é, sim, um questionador incansável -- nem que pelo exercício de dialética... :-)

P.S.: A resposta do Fernand no BlueBus também já está no ar:

http://www.bluebus.com.br/show.php?p=1&id=82715

Se abolirmos a palavra mídia antes do mercado estar preparado, podemos fazer que nem o Prince quando nao tinha mais nome? Tipo usar algum símbolo no lugar?

Eu acho que a gente já pensa assim - "planos de mídia por marca e conteúdo". Quando pensamos nos "meios", pensamos em ações muito mais complexas que simplesmente um anúncio na revista. Hoje não temos as ferramentas para avaliar/planejar este tipo de ação - temos que utilizar ferramentas de pesquisa e planejamento de mídia tradicionais. Mas cada vez mais pensamos da forma que você está descrevendo - é um movimento natural... sinceramente, não entendi a polêmica. Acho que foi o título ;o) (abolir as palavras "mídia" e "consumidor" ao mesmo tempo foi radical demais!)

Também não entendi a polêmica. Em que agência vc trabalha Juliana? Faz propaganda aí que vai chover freguês!

Fernand

Sabe aquela tendência que (quase) todo brasileiro têm de nunca ler o rótulo ou o manual de funcionamento antes de instalar um equipamento ou consumir um remédio?
Acho que aqui aconteceu a mesma coisa. Neguinho veio e (por preguiça, por desdém ou por ignorância) não leu o conteúdo do texto, e já saiu baixando o sarrafo, dizendo que o profissional de Mídia, ou a área de Mídia em geral, não é valorizada, que os planners são isso e aquilo....e tudo mais que vimos no Blue Bus.

Isso mesmo Rafael. Antes de querer ser "mídia", as pessoas deviam aprender a ler (pra não falar pensar).

estou tentando entender onde está a polêmica. com certeza as pessoas não lêem. e algumas (ou muitas) das que lêem não compreendem. mas é válido pra quem consegue ler e refletir (concordando ou não). o q importa é reflexão é q gera mudanças. de qq forma, eu concordo contigo Fernand. e ontem eu ainda falei sobre a dificuldade de chamar mídias de mídia com todos esses cruzamentos que estão acontecendo.

é...e também chamar consumidor de consumidor, chamar mercado de mercado, anunciante de anunciante, ave, tem muita coisa para mudar e temos muito trabalho!

Bons planners, como o Fernand, já assimilam este novo cenário. Mas o que acontece? Porque isso ainda não é colocado em prática? Cadê os cases? Preguiça? Cliente? Verba? - Vamos dispertar moçada! Vamos fazer acontecer! Tudo se transformou e ainda estamos utilizando as mesmas formulas.

Nao sei se sou um bom planner, Rafael, o q eu sei é q sou um tremendo de um trouble maker!

Fernand, vamos lá. Vamos ajudar esse pessoal a entender o que você propôs:

"A palavra mídia remete automaticamente a 0,0000001% dos canais existentes hoje entre online, offline e whateverline. Logo, ela não cabe mais no dia-a-dia de quem realmente entende disso."

Será que ajuda, ou precisamos ser mais didáticos? Podemos colocar tudo em planilha também, para facilitar o entendimento...escrever em português arcaico ou infantil, talvez...

Abs,

T.

As vezes penso numa solução mais radical: plano de aposentadoria antecipado, um time sharing prêmio para quem sair voluntariamente, uns tapas na cara, lobotomia...por aí

...ou então é só chamar tudo e todos de mídia de uma vez. Fica mais fácil, pq daí só precisamos quebrar a cabeça pra entender como as pessoas se relacionam com tudo e com todos.

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