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12-05-2008

Cartas de uma jovem planejadora na VCU #7

Blackbag

De saída para um estágio de verão na California, Juliana Siqueira manda mais um carta diretamente da VCU Brandcenter em Richmond, Virginia, EUA -- dando sequência à série.

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"Final do meu primeiro ano aqui no Brandcenter.

Começo do verão. Além de lindas tardes de sol aqui em Richmond, onde os termômetros marcam mais de 20˚C, temos também uma mudança de cenário. Um entra e sai de diretores de agências e companhias americanas, vindo entrevistar os alunos do 2˚ ano, que dizem “tchau” pra essa cidade sulista com o portfolio debaixo do braço, e uma proposta de emprego na mão.

Num momento tão importante como esse, nada melhor do que um coaching de quem realmente tem propriedade pra falar do assunto. Pois bem, na semana passada rolou uma palestras da Culture Crash bastante interessante e perfeita pro momento. A palestra “Welcome to Camp Black Bag” foi um boot camp pra carreira profissional.

Recebemos a Heidi Ehlers, fundadora da Black Bag talent attraction + acquisition e da série Diary of a Creative Director que desafia a noção popular e até meio que difundida por aí de que criatividade é o resultado da colisão entre sorte, timing e experiência. Há 20 anos, a headhunter tem dissecado a carreira de profissionais de criação, desde diretores de arte junior aos mais respeitados diretores de criação do mercado, dentro e fora dos USA. Ela discutiu a carreira desses profissionais com a gente e pra mim, isso teve um gosto especial.

De repente, eu pulei da cadeira, ao ouvir alguém falando em português em alto e bom som. E aí, vejo o Marcelo Serpa, diretor de criação e CEO da AlmapBBDO, com 10 metros de altura no telão. Achei o máximo. Até porque ela não cansou de elogiar o trabalho dele desenvolvidos ao longo dos anos, mais até do que os outros diretores de criação. Orgulho de ser brasileira, com certeza.

Mas vamos ao coaching, certo?! A Heidi usa os cases desses profissionais pra mostrar que a fórmula fácil de sucesso na área de criação simplesmente não existe. Quer ser Diretor de Criação? Ela afirma que uma carreira progressiva em criatividade – e isso vale pra nós de planejamento também, óbvio – é resultado de análise critica das oportunidades, gerenciamento cuidadoso da “sua marca” (você, no caso) e escolhas estratégicas.

Pra deixar tudo mais concreto, aí vai um resumo das principais dicas de gerenciamento de carreira da Heidi Ehlers pra vocês:

1. Estabelecer metas

Pessoas que tem metas estabelecidas do ponto de vista quantitativo tem 10 vezes mais chances de alcançar os seus objetivos do que pessoas que não fazem esse tipo de planejamento. A Heidi explica que não adianta termos metas. Temos que ter metas com prazos determinados e muito claros na nossa cabeça.  Não adianta pensar: “Quero ser diretor de criação” ou mesmo “Quero ser diretor de criação na CP+B”. O pensamento que realmente causa uma mudança de atitude na carreira do criativo é pensar “Quero ser diretor de criação da CP+B em 7 anos”.

Ter clareza sobre o que você quer é o primeiro passo na construção de uma carreira sólida. Ela contou que o Tony Granger, Worldwide Creative Diretor da Y&R, abre o computador dele todos os dias pela manhã com uma planilha com todos os projetos e objetivos de carreira que ele tem. Só pra relembrar se estão levando a carreira dele pro lugar certo e na hora certa.

2. Desenvolver um Plano

Uma citação que acho que vai fixar melhor na mente do que qualquer outro tipo de explicação: “Quando você desenha o futuro que te inspira, cada decisão no futuro é como um rabisco na folha de papel”. O que significa basicamente, ter dimensão de como os seus planos de curto prazo irão impactar o “verdadeiro plano” no futuro.

Pequenos detalhes que nem damos conta podem ter um impacto decisivo na carreira à longo prazo. Um sonho com data se transforma em objetivo, quando pensamos dessa maneira, e pra isso temos que analisar o que queremos sob os seguintes aspectos:

. Orgulho: Do que você tem mais orgulho?
. Financeiro: Quais são os seus recursos hoje?
. Educação: Qual é o seu background?
. Relacionamentos: De que maneira eles têm sido importantes no alcance dos seus objetivos.
. Expertise: Você é realmente expert em quê?

3. Contar a sua história

Estamos na entrevista agora. A sua história não é nada que não envolva os seguintes aspectos: conquistas profissionais, contribuições, objetivos e planos. E mais do que isso, como todos esses aspectos se relacionam com o objetivo da agência. Se você não sabe pra onde a agência está indo, qual é a missão e visão que ela tem, porque você vai querer entrar nesse barco?; Outra, como convencer que você é o cara que vai ajudar o barco a continuar seguindo pra direção certa ou que irá causar a mudança drástica que o diretor de criação está planejando pra agência? Faz todo sentido do mundo, não é? E pra entrar no barco, segundo a Heidi, temos que comunicar nosso comprometimento com a própria carreira profissional e com o futuro da agência, objetivos, conhecimento/background, entusiasmo, visão de curto e longo prazo e expertise.

4. Criar a sua marca

Outro aspecto bacana foi a necessidade de ter consistência da sua marca pessoal em todos os pontos de contato que outros profissionais possam ter com a sua carreira profissional. O que quer dizer que seu website, portfolio e atitude devem contar a mesma estória. Um currículo não dá pra ser documento word; tem que ser um documento conceitual, que esteja alinhado à estória da sua carreira. Pois é, storytelling aplicados à nós. Por fim, ela encerra a apresentação dizendo que a melhor marca pra ser contratada é profissional, preparada, informada, engajada, inspiradora, pró-ativa e visionária.

Está aí! Sem dúvida, tinha que passar essa palestra pra frente. Achei inspiradora, esclarecedora e não poderia vir no momento mais perfeito pra isso.

Ainda não arrumei um emprego (tenho um loooongo ano pela frente), mas parece que o “portfolio planner” deu certo e acabei sendo contratada para um estágio no verão lá na Butler, Shine, Stern & Partners, em San Francisco. Irei trabalhar na Influx, que é a divisão estratégica da BSSP, dirigida pelo Ed Cotton e Greg Stern. Estou super animada!

Bom, então é isso. As cartas irão voltar lá pelo meio de junho, contando sobre a minha experiência na Influx, dessa vez diretamente da costa mais ensolarada americana e com sotaque californiano.

See ya ;-)"

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Juliana Siqueira é aluna brasileira do Master Program em Communications Strategy na VCU Brandcenter, Richmond, VA, EUA -- todas as cartas dela aqui.

Comments

Pra mim, essa foi uma das cartas mais bacanas!
Parabens, Juliana! Suas cartas mostram o quanto boa planejadora voce deve ser... Ja sabe inspirar!

(desculpem a falta de acentos, teclado canadense)

Oi Daniel,

Valeu pela força!
(p.s.: tbm sofro com a falta de acentos de vez em sempre...rsrsrrssr)
Abs,

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