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26-09-2008

PICNIC | O Woodstock da criatividade e da inovação

Picnic_2

-- Publicado no MM Online em 23/09/2008 --

Começa em Amsterdã nesta quarta-feira, 24, a terceira edição da conferência PICNIC 2008. Vários posters do evento estão espalhados pela cidade, mas poucos são os transeuntes (nativos ou turistas) que passam por eles e os lêem.

Parece-me bem fácil entender o porquê disso estar acontecendo. Neles, está escrito "PICNIC, Create the Future", um título um tanto pretensioso para o gosto comum e, ao mesmo tempo, bastante tolo para o cidadão médio, já que - de acordo com todas as pesquisas de tendências e comportamento social que já li - ninguém quer saber sobre o futuro (porque o presente está mais interessante. E o futuro é hoje mesmo!). Assim, o evento perde a chance de se vender corretamente.

Uma definição pessoal, um pouco mais careta do que é a conferência (no entanto, mais adequada ao meu interesse de estar aqui), pode resumir o evento em palestras e debates sobre o impacto sociológico que a tecnologia traz para o dia-a-dia das pessoas e as conseqüências disso para as marcas (mudança de hábitos, novas atitudes, adequações de comportamentos,surgimento de novos tipos de relacionamentos interpessoais ou em grupo e por aí vai).

Fala-se muito de novas tecnologias - o pavilhão que fica ao lado do prédio do palco principal traz patrocinadores de peso e "devices interactive like" que estão começando a povoar as cidades mais contemporâneas do planeta. Com a participação de profissionais de várias áreas de expertise do mundo todo (especialmente da Europa), o evento se auto-define como "três dias de idéias inspiradoras, diversão e estímulos sensoriais em tecnologia de canais (meios), entretenimento, arte e ciência".

A definição não está nem um pouco equivocada, muito menos exagerada. O evento do ano passado foi surpreendente tanto na lista de convidados como na platéia. No palco, conheci o artísta plástico da web Jonathan Harris, de apenas 28 anos (que se auto-denomina "contador de histórias na web"). Ele fez todos ficarem de boca aberta com os possíveis usos da internet para o entendimento dos seres humanos em escala global. Uma pequena mostra do que estou falando pode ser conferido em um de seus sites mais famosos, The Whale Hunt. Nele, Harris conta sua epopéia durante o período de caça às baleias no Alaska. Na platéia - e ao meu lado - estava Anne, uma socióloga de 63 anos que trabalha para uma renomada empresa mundial de games. A tarefa diária de Anne é a de construir universos virtuais para games dessa empresa. Anne precisa entender de tecnologia, sociologia e antropologia social para poder dar coerência aos universos dos games que a empresa projeta. Um trabalho impensável dez anos atrás.

E o PICNIC deste ano não poderia estar mais alinhado com essas duas histórias. Logo no primeiro dia teremos discussões (ainda que filosóficas) sobre um assunto que ninguém sabe onde vai dar: "O Poder da Criatividade em Massa". A palestra pretende discutir o crescimento das estratégias de colaboração em massa (UGC) e suas conseqüências. E quem fala sobre o assunto é Charles Leadbeater, filósofo, conhecido como conselheiro de Tony Blair, o ex-primeiro ministro inglês, e autor do livro "We Think, a groundbreaking analysis of a changing world" (ainda sem título em português).

Não menos interessante, há o designer e artista plástico digital Aaron Koblin, que levanta questões sobre a força de trabalho do homem no mundo digital a partir de seu experimento "10,000 ovelhas". Com o uso do mecanismo digital "The Mechanical Turk", usado pela Amazon, Koblin convidou "trabalhadores da web" a desenharem "ovelhas olhando para a esquerda" para ilustrar sua página na web e lhes deu o pagamento de 2 centavos de dólar por ilustração. Com o experimento, Koblin retoma a "linha de montagem" tradicional agora na web e questiona algumas questões sobre a alienação do homem nas tarefas menos importantes, a criatividade em ambientes burocratizados e a manutenção do establishment (parece coisa de revolucionário!).

Somente no dia de estréia do evento teremos pelo menos seis grandes palestras no palco principal, sendo que passarão por ele desde talentos do MIT, filósofos e até o maestro Itay Talgam que dá um workshop muito interessante sobre liderança (veja um trecho do workshop no site da revista Fast Company).

Como o PICNIC vai até a sexta-feira, 26, deixo meus comentários para o próximo post. Vou abordar as palestras que verei e as curiosidades dos "arredores" do evento (que mais parece um remake digital - e sem música - de Woodstok com um alguns cabeludos de plantão, de chinelos de dedo, dizendo que trarão a paz mundial...)

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