Dia de short-list de filmes e uma manhã muito interessante em Cannes. Três palestras que deram o que pensar hoje em cedo: Act Responsible, What does the recession means to us e User Generated Content.
Na primeira todo mundo queria ver o Kofi Annan, mas quem nos emocionou foi Bob Geldof. A palestra sobre a nova campanha mundial por Climate Justice do Grupos Havas – Tck Tck Tck - ganhou uma nova dimensão quando Bob Geldof colocou todos no auditório para pensar que podemos fazer muito mais do que usar o logo da campanha gratuitamente e fazer download da música, mesmo isso já sendo bacana. “Nessa sala estão as melhores e mais criativas cabeça da propaganda. Se vocês usarem seu talento, energia e compromisso vocês podem salvar o homem.” Ainda disse que mais que uma “opportunity we have an obligation” de trabalhar para uma causa que não é para o futuro, mas para agora. E para provar seu ponto leu diversas estatísticas assustadoras. Foi uma combinação ótima do pedido diplomático de Kofi Annan com a provocação apaixonada de Bob Gendolf. Como já assumi no Twitter até chorei e não fui a única.
Na sequência o debate comandado por Sir Martin Sorrel com CMOs da Kraft, J&J, Mc Donald’s e P&G discutiu o cenário da comunicação pós-crise. A principal consequência parece ser o maior tempo gasto no planjamento de comunicação para achar boas e ‘engaging’ ideias. Essa foi a parte boa. Mas quando surgiu a questão de mídia x messagem e a importância de ter que conectar as pessoas a sua promessa de marca uma afirmação veio para fazer todos os planners refletir: o planejamento das grandes agências não está entregando mais a tradução de insights de consumidor/comportamento em ‘compelling ideas’. Pois é, duro e direto. E apesar de ser uma afirmação muito alinhada a realidade internacional do crescimento do papel estratégico das agências de mídia (que vêem ocupando esse espaço) não posso deixar de pensar que estamos no momento de grande responsabilidade do planejamento. Na verdade, uma oportunidade, especialmente se pensarmos na questão do valor do planejamento que estamos discutindo no GP. Essa é a hora de criar mais valor para nosso papel. Os clientes estão pedindo isso. Querem ideias que traduzam suas marcas e as coloquem de verdade na vida das pessoas. E em tempos de tantas mudança (e também de crise) ficou claro que vão precisar mais que uma ‘boa sacada’ eventual.
Por fim, o projeto da Mofilm onde 12 anunciantes abriram suas marcas para um concurso de filmes/propaganda, trouxe o Spike Lee. Lee defendeu a iniciativa e principalmente a questão do UGC, pois acredita que todo talento precisa de um espaço para aparecer. Por isso, o valor da Internet que dá espaço para qualquer um. Assim o talento não precisa mais de NY ou LA, pois a realidade do mundo hoje é muito mais fragmentada e múltipla. Multi-centros produzindo talento. Ele ainda provocou o(s) cliente(s) presente(s) falando que talento e criatividade precisam de riscos. Que não adianta ir apenas com o sabor tradicional de baunilha para se sentir seguro. “Be dare, be visionnaire”, pediu ele. Tomara que seja um pedido atendido.Ah, e os filmes ganhadores do projeto são bons. Especialmente o da Nokia. Simples, tocante e elogiado pelo próprio Spike Lee.
É, só esse dia já teria valido a viagem.
Renata,
Obrigada por seus posts e por dividir as coisas boas que vc tem visto por aí.
Bj, Cecilia
Posted by: Cecilia Noaveas | 26-06-2009 at 17:47
Esses dias li (mais) um artigo que falava sobre o nosso compromisso/responsabilidade em fazer as marcas participarem da vida das pessoas. Legal, claro que uso o bom senso, mas existem aqueles que apenas decoram os mandamentos e vão cegos à luta. As marcas precisam fazer parte da vida das pessoas, mas de forma positiva, relevante e insubstituível. Básico, óbvio? Sim. Mas quantas empresas vocês conhecem que não estão míopes para essa verdade óbvia?
Posted by: Fernando Sá | 01-07-2009 at 09:59