Duas palestras se destacaram nesses 2 dias aqui em Cannes. Na terça o bate-papo da Naked e na quarta a palestra sobre storytelling da Leo Burnett e Contagious.
Na terça um quase papo de bar puxado por perguntas de Paul Woolmington, sócio fundador da Naked, a palestra da manhã foi uma delícia. Além do trabalho interessante que cada um desses anunciantes está fazendo o que vimos foram verdadeiras crenças sobre a importância de se construir marcas junto com as pessoas (e não simplesmente consumidores). Falando sobre conceitos como brand service, human journey e cultural ideal, o ponto em comum foi a importância do pensamento estratégico para as marcas e como elas podem assim se tornarem parte da vida da pessoas.
Sobre isso Stefan Olander, Global Director of Brand Connections da Nike, disse que hoje o que eles pensam é mais como entregar “a better you” e não simplesmente “a better shoe”, porque segundo uma pesquisa feita pela empresa as pessoas estão dispostas a pagar mais simplesmente por algo que as faça se sentir melhor.
A conversa acabou com visões sobre quem seria o dono da criatividade em uma agência. Os 3 foram unânimes ao falar que se alguém pensar que pode ser o dono da criatividade a agência vai ter um problema. A criatividade é algo orgânico e colaborativo. Existem tipos diversos de criatividade que juntas contróem algo sempre mais poderoso (me lembrou os conceitos da palestra Sir Ken Robinson no 4A’s de 2007 em San Diego). E por isso a eterna discussão sobre silos nas agências (pois é, aqui também falam sobre isso) parece ser ridícula.
Na quarta a tônica foi o storytelling. Desde a palestra com Steven Van Zandt contando um pouco da sua vida (momento tiete das pessoas), passando pela ótima palestra focada no tema ‘Wildfire Stories’, até o Steve Balmer da Mirosoft falando sobre a mudança do mundo para conteúdo, o grande desafio das marcas é contar boas histórias. Boas histórias sempre envolveram o homem e falam com a nossa essência e os palestrante provaram seu ponto de modo divertido comparando frases de Confúcio com slogans de grandes marcas da atualidade (e até dando um espetada na Microsoft que entrava no palco em seguida). Depois entraram pelos estilos de histórias mostrando que entretenimento e propaganda andam cada vez mais de mão dadas. A cada estilo davam exemplos de filmes e aí entravam em cases (a maioria já levando leões). Divertido e simples. Para quem gosta do assunto a Ana Maria Bahiana dá uma aula na Casa do Saber sobre como assistir cinema que passa por todos os estilos de narração da sétima arte e brincar de fazer seus próprios paralelos e se inspirar.
O dia terminou com Steve Ballmer falando de conteúdo e fazendo um pouco de propaganda da Microsoft. Provocando um pouco sobre como a propaganda faz conteúdo (o que parece ser o grande desafio para a Microsoft hoje em dia levando em conta a palestrante do dia anterior). “Ads can’t be an interruption of the content flow”.
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