Opinião

04-07-2008

A mulher do piolho no boteco

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Um sujeito estava em um trem, observando atentamente as pessoas à sua volta. A paisagem embalada pela ladainha new age do trem ia apagando, um por um, os viajantes. Dormiam soluçando a cabeça verticalmente: quando a consciência se apaga, dizemos sim. Mas, ao chegar à estação, subitamente todos despertam, chacoalhando a cabeça horizontalmente: quando a consciência desperta, dizemos não.

Adorei o papo de boteco ontem promovido pelo GP. Foi divertido e inteligente debater idéias.

Mas fiquei meditando sobre alguns temas recorrentes que obviamente não podiam escapar ao nobre encontro.

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02-07-2008

Pelo fim do preconceito

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Acho esse um tema fundamental para qualquer planner wannabe. As idéias pré-concebidas sempre nos levam aos mesmos cenários e às mesmas descobertas. Do mesmo jeito que pensar dói (fazer é sempre mais rápido e mais fácil), desafiar o pensar também dói.

Nascemos, crescemos e nos significamos dentro de um contexto sócio-cultural que nos define como indivíduos. E é a partir disso que buscamos nos expressar e criar um espaço próprio no mundo. O desafio, porém, é ter como meio de expressão (ou profissão, ou papel) uma disciplina que mexe com o outro, com o coletivo.

O planejamento é assim.

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01-07-2008

Propaganda e Sustentabilidade

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Todo mundo fala demais de sustentabilidade por aí. E quando essa tendência (mais que uma tendência) contamina a propaganda, é uma enxurrada incontrolável.

De duas maneiras a propaganda trabalha esse tema. E dessas mesmas duas maneiras, a indústria da propaganda se considera em certa medida sustentável ou pelo menos sensível ao tema.

A primeira já é antiga: rebatizar as suas ações filantrópicas de sustentáveis. Nada de errado, claro, fazer propaganda de causas, pequenas ou grandes, abrangentes ou localizadas, ideológicas ou presenciais. É bom para todos: para as causas, para quem as defende, para a sociedade e para as agências de propaganda que, de quebra, ainda têm a chance de criar peças premiáveis. Mas não são ações de sustentabilidade.

A segunda é mais recente: simplesmente responder aos briefings das ações sustentáveis de seus clientes. Isso justifica essa quantidade incrível de mensagens publicitárias que coloca as marcas sob a perspectiva de "salvar o planeta e a humanidade". Podemos até debater se de fato as tais marcas e empresas que se anunciam sustentáveis fazem isso da boca pra fora ou de verdade. Mas uma coisa é certa: isso não é uma atitude sustentável por parte da indústria da propaganda.

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26-06-2008

Deu na Campaign: "Planner vs. Planner"

Plannersxplanners Um "account planner" conseguiria fazer o trabalho de um "communications planner"? E vice-versa?

Esse foi o ponto de partida para uma dupla de artigos na revista Campaign há algumas semanas: de um lado, David Hackworthy (account planner, sócio-diretor da The Red Brick Road); do outro, Ivan Pollard (comms planner, sócio da Naked Communications).

Para Hackworthy, account planner é o planejador voltado para pensar nos fins, no efeito que a mensagem deve provocar nas pessoas. Tem a missão de entender e construir as relações entre as marcas e as pessoas.

Para Pollard, comms planners pensam em formas de fazer pessoas se mobilizarem. Para ele, são os profissionais que de fato farão com que as idéias cheguem nas pessoas e se tornem relevantes.

Mas, de alguma forma, ambos acabam concordando que são habilidades distintas e que a melhor solução é unir os dois profissionais no processo.

Leia o artigo duplo na íntegra.

17-06-2008

Não tenho um blog nem uma matriz pronta. Doutor, é grave?

Zeca

O que pode interessar a um planejador?

Com toda essa leva crescente de novos antenados, blogueiros, modernos, cool, planejadores globais, é difícil para um planejador que não teme parecer um dinossauro e pertence à velha guarda que começou a planejar antes da internet achar alguma coisa que eles julguem interessante.

Não tenho um blog. Esta informação sem dúvida deve horrorizar muitos de vocês. Não tenho porque a minha vida não tem coisas tão mirabolantes para contar, a cada dia ou mais de uma vez num só dia (nem Salgari tinha uma vida interessante para contar, ainda que sua imaginação fervilhasse mais que a de muitos planejadores).

Não gosto de trends. A nova cueca de pelúcia vestida pelos roqueiros da Papuasia não me dá frêmitos de prazer nem me estimula grandes pensamentos estratégicos.

Não gosto de ler cases de marketing nem de planejamento, assim como acho chatos e inúteis os livros que falam de “how to build super duper brands” ou “ikea, o milagre da madeira sueca”.

Não tenho modelos, formatos nem matrizes de planejamento para vender como novos milagres de estratégia. Não acredito em formatos nem em modelos. Encaixotam a cabeça, tornam a mente preguiçosa.

Odeio os novos acrônimos, scuppies, tweens e quantaltro. Acho o TED um dos poucos lugares hoje dignos de passar mais de uma meia hora na internet (desde que depois você pegue um livro ou garimpe a história das pessoas que participam no TED).

Se você chegou até aqui e ainda está interessado no que eu tenho a dizer, vou falar do que gosto e acho que pode ajudar a ser um planejador de algum sucesso como gostaria que os planejadores fossem.

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16-06-2008

Deu no AdAge: "Build Your Brand by Thinking Like a Fighter"

Marshalindsay Marsha Lindsey, CEO da Lindsay, Stone & Briggs escreveu para a AdAge sobre como mudaram as perspectivas de construção de uma marca.

No artigo, Marsha defende que antes o branding era feito para se ter marcas de longa vida, com um extensivo trabalho de construção ao longo de décadas. Mas os tempos mudaram e, na visão de Marsha, "não há mais os 15 anos que se tinha antigamente para se construir uma marca".

Essa mudança no timing do mercado implica em criar "guerreiros do marketing": rápidos e ágeis nas tomadas de decisão e na construção de modelos de negócios -- e para planejar no curto prazo.

Leia o artigo completo e dê também a sua opinião.

09-06-2008

Deu no AdAge: "Launch Products Like Entrepreneurs"

David_vinjamuriDavid Vinjamuri -- autor de "Accidental Branding: How Ordinary People Build Extraordinary Brands" e professor de marketing da Universidade de New York -- escreveu para o Advertising Age sobre a maneira como as grandes coorporações lançam produtos no mercado.

A sua premissa básica é a de que as empresas usam o período de desenvolvimento de produtos para afunilar as inviabilidades comerciais antes do produto entrar no mercado. Mas o grande problema é que as pesquisas com os consumidores tendem a premiar as idéias mais seguras, porque essas demoram menos para serem adotados pelas pessoas.

Para David, o jeito ideal de lançar produtos é o que ele chama de modo "empreendedor": colocar produtos no mercado de forma rápida e barata, contando com o risco do fracasso, mas mantendo a capacidade de inovar sempre.

E você, o que acha disso? Concorda? Discorda? Muito pelo contrário? Leia o texto completo aqui e manifeste sua opinião.

05-06-2008

Como vivem os normais

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A foto acima é de uma casa em São Paulo postada no site normalroom.com, um site concebido para que as pessoas comuns postem imagens de suas casas.

No ambiente, existem imagens do interior de casas dos mais variados países em categorias como cozinhas, salas, quartos de meninas, quarto de bebês, jardins, etc.

As imagens foram registradas e postadas pelos donos, ou seja, sem produções especiais e, muitas vezes, com a desorganização que é peculiar das casas de gente de verdade.

Trata-se de uma tendência, já que este não é o único site com a finalidade de divulgar como vivem os normais.

É interessante analisar o tipo de uso que este movimento permite: a análise de novos costumes, das diferenças ou similaridades de culturas, a inserção de novos hábitos, usos e interações de objetos e necessidades não detectadas na arquitetura, decoração e construção civil.

Ou seja, se vivemos novos tempos, também podemos contar com novas ferramentas para insights.

O tatatataravô do Skype

Telectroscope

Uma das novidades tecnológicas mais interessantes aqui em Nova York é  o misterioso e enigmático Telectroscope, um aparelho que parece saído da prancheta do professor Pardal (mas na verdade, é obra do artista Paul St George).

A geringonça supostamente utiliza um túnel intercontinental para permitir comunicação via vídeo (infelizmente, sem som, mas com imagem de excelente qualidade). O terminal daqui está instalado próximo da Brooklyn Bridge, e o terminal londrino dá vista para a Tower Bridge.

Para experimentar essa invenção muito curiosa, o pessoal do planejamento da JWT Londres (o Lex, a Bianca, a Karen e a Hilde) convidou os colegas do lado de cá do oceano a se encontrar via Telectroscope, na terça passada, à 1h da tarde (6h em Londres).

Eu e a Sigrid fomos lá representar os planners de NY. E encontramos uma surpresa: para homenagear a primeira forma de comunicação transatlântica, o pessoal de Londres mandou para nós uma mensagem em código morse, que tivemos de decifrar.

Pra ver a mensagem e tentar decifrar também, clique na imagem abaixo para ampliá-la.

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03-06-2008

Contador de Histórias

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Na semana passada, esteve aqui na JWT NY o Jonathan Harris, o autor de projetos muito bacanas como o We Feel Fine e o 10x10.

Ele contou sobre o seu processo criativo (tudo passa pelos cadernos de anotações dele) e se definiu como um contador de histórias. Claro, é absurdamente impressionante a capacidade dele em fazer interfaces divertidas e recheadas de surpresas.

Por exemplo, as diferentes reações que as partículas coloridas do We Feel Fine têm em relação ao cursor do mouse, dependendo de onde você clica.

E quando o cara usou uma tela multi-touch-screen de alta definição, criou uma obra que esteve exposta no MoMA durante os últimos 3 meses: I Want You To Want Me.

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